Aquilo que inebria é demais
Aquilo que queima o ventre enauseia
Aquilo que fere o peito sufoca
Somos cardíacos pelo que se anseia
Sou um recipiente vazio
E ainda assim me aperta o peito
Guardo estrelas em combustão
No inaudível de meu sussurro
No reverberar de meu grito
Silêncio come o juízo
Pelas beiradas
E o que sobra, não vale muita coisa
Não vale a saliva.
Dicotomia dos infernos
Essa de ser mansa
E ainda fera
Dependendo dos braços que me envolvem
Das pernas abertas.
Eu quero um pouco de tudo
E ainda assim um pouco de nada
Quero terno e gravata
Quero fim de tarde
Óleo em tela.
Quero Aquilo que me tormenta
Quero Aquilo de rebuliço
Mas no fim do dia
Quero a Pasárgada
Sou excessivamente
Não suficiente
E isso me aprisiona
Fantasmas
Entre peito e língua
Palavras arredias
Que adormecem
Na calada
Da noite.
E na noite
Calada.

— Alana Marroquim, Dez. 2021


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