Me fez tantos filhos,
ainda que em exílio de mim.
Me abriu tanto lascivo riso,
ainda que em puritano pranto,
Me fez corar a carne
De tanto repúdio
ainda que em encanto.
Me fez criatura mansa,
ainda que onça,
de coração arredio.
Eu quero minha pele
fervorosamente devota
A tuas mãos hereges.
Eu quero prece
De tua boca
Corrupta.
Ainda, que de mim distante
Segues caminho, no ventre
A me cultivar desejo
A me fermentar volúpia
A me embebedar de ânsia.
Ainda que longe
Teu toque, lembrança
acorrenta-me as juntas
E ainda me pulsa.
Que estrago cê fez ao me beijar a alma nua!
— Alana Marroquim, Abr. 2023
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